TRAJETÓRIA
HISTÓRICA DA INSPEÇÃO ESCOLAR NO BRASIL
Segundo
Saviani (2006c apud FERREIRA, s.n.), a inspeção
surgiu como forma de controle no
cenário brasileiro já no Ratío
Studiorum[ii], conforme o Plano Geral dos Jesuítas e que passou a vigorar em
todos os colégios da Companhia de Jesus a partir de 1599.
A
inspeção escolar é uma profissão antiga e a sua história acompanha a evolução da educação no país. De
acordo com Saviani (2002), o inspetor era nomeado de diferentes modos ao longo
da história de acordo com sua situação hierárquica e função. Esse profissional
era denominado Inspetor Geral ou Paroquial no período imperial; Inspetor de
Distrito ou Supervisor na era republicana. Em determinados momentos os serviços
de inspetoria foram denominados de Diretoria de Instrução.
De
acordo com Senore (apud Augusto,
2010), a inspeção precisa ser vista
como um processo de mediação e suas ações devem estar fundamentadas em uma
conduta ética, diontológica, para evitar assim, as decisões arbitrárias dos
inspetores. Esta conduta contribuiria para uma nova definição das ações do
inspetor, que estaria orientado para exercer a função de acompanhador e
formador, diferente daquela de controlador e vigilante.
A
atuação dos inspetores escolares sobre a educação no Brasil remonta há mais de cento e cinqüenta anos, no
exercício de um papel legitimador da estrutura burocrática do estado,
preocupado em manter o controle das escolas. Segundo Botelho apud Augusto (2010), em 1799 iniciou-se a
fiscalização das aulas régias, serviço de inspeção realizado por um professor
de confiança do vice-rei. O trabalho do inspetor nessa época era de fiscalizar
o funcionamento das escolas, os métodos de ensino, o comportamento dos
professores e o aproveitamento dos alunos.
Segundo
Augusto (2010), com a reforma de Afonso Pena, em 1892, os Inspetores passaram a ser nomeados por
concurso. Ocorria, porém, no final do século XIX um desinteresse dos homens
públicos pelos problemas do ensino, embora o número de escolas houvesse
crescido. Em 1927 é criada a Inspetoria Geral de Instrução pública, atuando
junto ao Conselho Superior de Instrução. O ensino elementar (antigo primário)
era fiscalizado pelos inspetores municipais e os estabelecimentos de ensino
médio e superior de 1930 a 1961 ficam sujeitos à inspeção federal.
Na
década de 30 a sociedade brasileira passou por grandes transformações com um movimento
crescente de industrialização e urbanização. A educação ganha reconhecimento do
Estado e passa a ser considerada como um direito do cidadão, conforme a
constituição de 1934.
A história da educação mostra que a qualidade do ensino antes e durante o período do Estado Novo era
regulada, fiscalizada de forma vertical e pontual pela inspeção que controlava
com rigidez os estabelecimentos de ensino. Esse controle atendia às vontades
dos governantes autoritários da época, que possuíam modelos de educação e
formação a serem implantados e rigorosamente controlados.
A
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 em seu artigo 64 apresenta o inspetor
escolar, atualmente, como um profissional da educação cuja função está voltada
para a administração escolar, planejamento, supervisão e orientação
educacional. De acordo com essa lei, o inspetor deve ter graduação em pedagogia
ou pós-graduação:
Art.
64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento,
inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será
feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a
critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum
nacional. (BRASIL, LDB, 1996)
A trajetória histórica da inspeção escolar permite focar a atenção nas forças que mobilizam a educação
brasileira atualmente, que é promoção da gestão democrática, da cidadania e da
inclusão social.
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